Entrevistas

Entrevista com Luís Manuel

Pequena conversa que tive com Luís Manuel no final do Oscar da Dublagem em 10 de Julho 2010.

 

C.d.: Você dirigiu na Herbert Richers, Sincrovídeo, agora na Wan Macher...

 

Luís: na Herbert dirigiu de 76 á 78, a Sincrovídeo eu era dono.

 

C.d.: Você veio do rádio né Luís, e depois surgiu a dublagem...

 

Luís: comecei no rádio criança, trabalhei 10 anos no rádio, aí me chamaram pra dublagem, tinha 16 anos, fui convidado para fazer um personagem na Herbert Richers, que usava o estúdio de cinema Cinelab pra dublar, que era um teatro, trabalhávamos com projetor de carvão, faz tempo isso (risos).

 

C.d.: e o Fred?

 

Luís: Fiz muitos anos o Fred, fui eu quem escalou o elenco de dublagem do desenho.

 

C.d.: Na Dublasom Guanabara.

 

Luís: Isso.

 

C.d.: Isso em 1971, né?
  
Luís: é, por aí. Trabalhei também em outras empresas, uma das primeiras foi a Ziv, que mais tarde se dividiu em duas empresas, uma delas foi a Peri Filmes. Eu fui chefe de produção e diretor de dublagem da Dublasom Guanabara. A Dublasom Guanabara foi criada pelo Ribeiro Santos e um amigo dele. Ribeiro Santos foi o meu melhor amigo, tenho muitas saudades dele.

 

C.d.: A Peri Filmes era do Carlos de La Riva?

 

Luís: Não, lá ele só era técnico de som, depois que ele saiu de lá ele criou a Delart. Na Peri Filmes eu dirigi uma grande produção chamada The Sound of Music... A Noviça Rebelde.

 

C.d.: Foi você quem dirigiu a Noviça Rebelde?, nossa, foi uma grande dublagem... inclusive a Peri Filmes tinha uma sonoplastia incrível pra época.

 

Luís: É verdade. Então, eu fiz Herbert, depois Peri e depois eu montei a Sincrovídeo.

 

 

C.d.: Sincrovídeo... que inclusive dublou muitas coisas boas, muitos desenhos.

 

Luís: É. Eu sempre dublei muitos desenhos, fiz Os Herculoides, Flipper, e muitas outras coisas. Lá eu fiz vários também, tinha o CatDog, eu fazia o Gato e fazia o ratinho, e também fazia um cachorro bobão que aparecia.

 

 

C.d.: Você fazia o Gato?, não era o Rodney Gomes?
  
Luís: Não, o Rodney fazia só o Dog. Eu no desenho fazia o Gato, o ratinho e um cachorro da gangue que tinha no desenho, isso ninguém sabe (risos). O Rodney tinha a voz muito parecida com a minha.

C.d.: E o Fred? Veio um longa-metragem em 1998 e reuniu todos os dubladores de novo, você, a Juraciara e etc... Porque você largou o personagem?

 

Luís: Eu fiz o Fred e depois larguei porque tinha muito trabalho na minha empresa (Sincrovídeo). Aí reuni todos os dubladores de Scooby-Doo e passei o personagem pro Peterson, até porque fui eu quem escalou aquele elenco.

 

C.d.: Eles tiveram até um respeito com você né, em deixar você decidir.

 

Luís: É. Aí deixei o Peterson, mostrei como fazia e ele aprendeu e ta fazendo até hoje. Ta com a voz igualzinha a minha, até eu as vezes confundo com a minha voz (risos).

É muita coisa. Eu criei uma comunidade minha outro dia, tava tomando cerveja, conversando de repente virei pra minha filha e disse: “bota ai no computador, cria uma comunidade minha.”, e contei toda a minha história. Toda não né porque não da, mais um pedaço dela (risos). Eu to até ajudando o Mário Monjardim no livro que ele ta escrevendo sobre dublagem.

 

C.d.: Falando nisso o Mário não ia vir?

 

Luís: Ia nada, o Mário ta velho, nem aguentaria essa viagem (risos).

 

C.d.: (risos) Mas o Mário ainda ta aí dirigindo e tal.

 

Luís: É. Mas ele ta velho, ele só fica enchendo o saco da mulher dele (risos). [brincando com o amigo]

 

C.d.: E o Drummond aguentaria a viagem?

 

Luís: Também não. A única que aguentou foi a Selma Lopes que ta aí hoje. [se referindo a viagem de ônibus do Rio de Janeiro pra São Paulo de duração de 6 horas]

 

C.d.: A grafia do seu nome é Luís Manoel ou Manuel?

 

Luís: Manu, Manuel, português. Eu sou português, vim pequeno pro Brasil. É Luis com S e Manuel com U.

 

C.d.: Eu havia posto exatamente assim também no meu site.

 

Luís: A minha filha até mudou lá na minha comunidade porque tava com O.

 

C.d.: Vamos falar de Disney, você dublou o Mickey Mouse.

 

Luís: Sim, dublei ele por 45 anos.

 

 

C.d.: Mas o Mickey depois num foi pro Cleonir?

 

Luís: Foi nada, o Pato Donald que passou pra ele porque o outro dublador tinha morrido. Mas o Cleonir não sabia fazia o Pato Donald, eu quem sabia, eu tinha experiência, era igual como fazer o Patinho Duque, que fui eu quem dublei, eu até mostrei pra eles que sabia, mas a Disney não me deixou fazer porque já fazia o Mickey (risos). [ele imitou um pedaço do Patinho Duque]

 

Ps: Luís você diz que dublou por 45 anos o Mickey, pois alem de tê-lo dublado nos anos de 1960 e algumas vezes nos anos de 1970, também o dublou em alguns longas nos anos 1990 que foram para a Sincrovídeo, por isso essa afirmação.

 

C.d.: Você ainda faz muita voz de garoto pra dublar?

 

Luís: Não, só se for desenho mesmo.

 

 

C.d.: Hoje em dia você dirige na Wan Macher, e é o maior diretor de dublagem do país.

 

Luís: Modéstia a parte eu sou sim.Dirijo muitas séries lá, Sobrenatural, Chuck, entre outras. Eu estou com 68 anos, eu faço o que gosto, dirijo, dublo, dublar não tanto, mais dirijo mesmo.

 

C.d.: É Isso aí...Sobrenatural ta sendo dublado a última temporada?

 

Luís: Não, eles pararam de mandar...também, depois que eles matam até Deus rsrs.

 

C.d.: Rsrs é verdade....Bom, vai lá que estão te esperando, obrigado viu Luís.

 

Luís: Obrigado eu.

 

C.d.: Boa viagem.

 

Essa conversa não foi anotada, apenas passada de cabeça. Há alguns detalhes que não me recordo com precisão, mas o contexto como um todo e o principal foi resumido nesse texto. Agradecimentos à ajuda e colaboração indireta dos amigos Pablo de Oliveira e Bruno Neon.